Adeus

novembro 19, 2011

Benjamin,

 

Peguei as malas espalhadas pela casa e as organizei  perto da porta para que fosse mais fácil na hora da partida. Apaguei o último cigarro, olhei o gás da cozinha pela terceira ou quarta vez, olhei debaixo da cama, olhei em todos os locais possíveis talvez tentando adiar aquela história de partir sem rumo. Mas nada ia me impedir, era preciso. Era mais que preciso sabe Benjamin. Não te culpo por nada que aconteceu e espero que você não considere essa carta como uma forma de te culpar pelo rumo dessa história. No fundo,  o que eu estou fazendo é aquilo que você sempre desejou, finalmente estou arrumando meu apartamento, dando fim a toda bagunça e partindo.

Eu tô feliz  e torcendo para que você também esteja , isso não quer dizer que eu não sinta a sua falta. Todo santo dia eu penso em você. Fico aqui imaginando se você já fez a barba , se já comeu sua salada com molho de mostarda e mel no almoço , se você já leu um dos seus novos livros, sabe, essas coisas corriqueiras. Ah , como eu te amo . Me desculpa por retomar esse assunto outra vez , mas como eu estou partindo nessa incerteza toda acho que eu tenho o direito de me despedir e deixar claro meu sentimento por você.

Mas o verdadeiro motivo dessa carta não é falar que te amo ou pedir desculpas , a verdade é que fico meio perdida nessas horas em que preciso ter uma conversa com alguém , você foi o meu confidente e melhor amigo por anos, por isso preciso desabafar com você. Não foi fácil largar a faculdade que eu lutei tanto para conseguir entrar, não foi fácil brigar com toda minha família por isso, me senti um fracasso por chegar a tal ponto. Tirei coragem de nem sei onde para tomar essa decisão e cá estou eu , malas prontas , viajando para o Chile sem ter idéia do que vou fazer lá. Se sua mãe soubesse disso certamente ela diria  que eu sou uma menina perdida e que você fez bem em me largar. Já até imagino quando estiver no aeroporto de Santiago, colocar as malas no chão , olhar para todas aquelas pessoas falando outra língua e ver a burrada que eu fiz, sei que vou lembrar de sua mãe. Por isso se ela perguntar por mim diga que estou bem e que logo vou me formar, se puder diga que eu encontrei um namorado novo e que terminei a terapia.

Acho que essa é a última vez que ‘conversamos’, talvez eu volte daqui a 6 meses , talvez eu fique por lá até encontrar um sentido pra minha vida, talvez sei lá. Não precisa responder essa carta porque meu apartamento vai ficar vazio e provavelmente não vou acessar a internet tão cedo. Quero só que não se esqueça de mim, sei que é um pedido egoísta, sei que você deve tem outra vida agora e alguém pra amar. De vez em quando compre aquelas flores que eu gosto, cante para mim uma música, porque de alguma forma eu ainda sinto você perto de mim.

 

Da sua Gabriela

 

ps: espero que eu me encontre assim como você me encontrou.

Fuga e luta

outubro 25, 2011

Luta ou fuga , e os neurônios se preparam para transmitir ao resto do corpo que estamos nessa situação. Fuga. Na minha vida tudo tem se baseado nessa  palavra, ando pelos cantos me escondendo, virando o rosto, mascarando o que eu quero dizer. Talvez seja uma boa estratégia para sobreviver mas só sobreviver basta? Do que adianta sobreviver a vida se ela não tem nenhum sentido? Chegar no final e dizer : pois bem , cá estou eu, velha, cansada e cheguei até o fim. Quem se importa? Todos chegam a esse fim de qualquer jeito. Qual o sentido então de fugir para chegar a algum lugar? Sinceramente, fugir não é a melhor escolha, tá na hora de você parar de se enganar menina. Pelo menos uma vez na vida cria vergonha na cara e lute pelo o que realmente importa sem inventar desculpas para se esquivar dos problemas que a vida te traz..

Desculpa Gabriela.

outubro 12, 2011

-Sabe Benjamin , eu preciso arrumar essa apartamento. Essas cadeiras fora do lugar me tiram do sério e o lixo já está acumulando nas sacolas brancas da cozinha. Sei que tá tudo fora de ordem mas você não se importa com isso né? É só uma questão de tempo e eu vou arrumar tudo , vou guardar os livros espalhados pela casa e colocar ordem nesse quarto, acho que eu preciso comprar  uma vassoura nova porque a velha está quebrada , lembra?

Sim eu lembrava , mas a última coisa que me preocupava era o dia em que eu quebrei a vassoura antiga que ela trouxe da casa do seu pai , o que estava me deixando preocupado não era a bagunça no apartamento mas a bagunça que a vida da Gabriela tinha se transformado. Por mais que ela tente dizer que está tudo bem, o reflexo do estado de caos em que sua mente se encontrava estava claro e evidente nos livros fora do lugar e no lixo espalhado pela casa.  Aquela situação me doía e eu sabia que precisava fazer alguma coisa , mas tenho tanto medo dessas coisas delicadas dos relacionamentos, como eu poderia ajudá-la? Como eu poderia invadir sua vida assim? Queria chegar calmamente, desligar a música alta e barulhenta do seu ipod  , entrar em seu quarto, segurá-la em meus braços e falar: calma , vou arrumar essa bagunça na sua vida, calma meu bem , tudo vai ficar bem. Eu queria.

– Gabriela não entendo como você tem tempo para ler esses seus livros idiotas mas não tem tempo pra arrumar esse apartamento. Vai, eu te ajudo.

Guardei os livros na estante e levei o lixo para fora, esperando que no reflexo daquele espelho tão confuso as coisas também se ajeitassem.  Desculpa Gabriela, espero que um dia você entenda que tudo o que eu mais queria era te ver feliz mas eu tive medo de entrar na sua vida.

De volta…

junho 28, 2011

O barulho do mar lá fora entrava pela fresta deixada na janela. Lembrou de quando era pequena e não conseguia dormir, pois quando deitava, ainda sentia a sensação de estar flutuando nas águas salgadas daquele mar. A vida era mais colorida antigamente e o barulho do mar que hoje ela escutava não era bem o mar , era apenas o barulho dos carros apressados na madrugada . Ela dormiu pensando no mar. Era o que ela conseguia fazer naquele momento, acreditar , acreditar que um dia estaria de volta.

Estranha vida.

junho 5, 2011

Criamos toda uma realidade para a nossa vida e de repente essa realidade ja nao serve mais , como aquela roupa que ficou muito tempo no armário esperando ser usada …

Montanha Cega

junho 1, 2011

Acredito que esse é um filme não muito convencional. É diferente daqueles filmes em que o problema é resolvido no final . A montanha cega é a realidade da China machista e primitiva em que a violência praticada contra o sexo feminino é comum. “Morrer é fácil, difícil é viver.” . Se me pedissem para resumir esse filme em apenas uma palavra , essa palavra seria angústia..

É

maio 28, 2011

”Tristeza não tem fim , felicidade sim. ”
Chegou o fim. Mas todo fim tem um começo em seguida , assim  espero.

Foi ser feliz.

maio 23, 2011

Antes de tudo , esse é um texto meu que pode parecer confuso , mas para mim faz o maior sentido…

Acordou antes de o despertador tocar , mas como tinha aquela obrigação de contrariar tudo que existe , fingiu que ainda estava dormindo. Transitava entre aquele espaço pequeno do acordar e da tentativa de voltar a dormir. A cabeça cheia de pessoas e sentimentos,  lembrou-se do sonho que tivera aquela noite e começou a chorar. Na verdade o choro era o medo dos sonhos serem melhores do que a sua própria vida.

(Acho que antes de qualquer coisa , preciso falar um pouco mais sobre quem ela é . Gabriela, gostava de sair na chuva em dias frios, contrariava tudo por simples prazer, precisava escutar música em todos os momentos da sua vida, tinha muito medo de tudo, admirava as coisas belas da vida, gostava do cheiro da cebola fritando mas tinha nojo de qualquer coisa frita, vivia sonhando por ai, não entendia as pessoas direito mas adorava fingir que entendia, nunca teve um amor de verdade, sentava no chão do banheiro com as pernas encolhidas em dias de crise , e evitava pensar demais para que não entrasse em uma dessas crises.)

Depois de muita birra , levantou da cama e olhou as horas , ao ver que faltavam só 30 minutos para que o despertador tocasse , sentiu uma raiva de si. Olhou a casa vazia e sentiu que sua vida não seria muito diferente daquilo ao menos que …

Ficou se perguntando durante o banho se teria coragem de romper esses laços da vida , achava que seria impossível ir embora assim , ainda mais por ser uma mulher frágil , dependente e com um medo absurdo da solidão. Pensava, como dona Joana falava , se não tem nada a ganhar , não tem nada a perder também ,a vida é dois dias e o Carnaval são três menina. Mas depois achou que a frase de dona Joana não fazia o menor sentido , ela poderia ir embora , não ganhar nada e ainda perder muita coisa .Sempre soube que dona Joana não batia bem da cabeça , mas gostava dessas pessoas loucas , que pareciam deslocadas no meio da multidão.

Olhou no relógio , 10:40 , ainda. Resolveu sair de casa mais cedo.

– Ei , Gabriela , espera ai!

Gelou por dentro naquele momento , faria de tudo para fingir que não viu aquele menino e sair andando, mas já era tarde demais .

– Ei Benjamin .. O que você tá fazendo aqui? Eu resolvi sair mais cedo de casa , não tinha nada pra fazer lá , mas aqui também não tem nada pra fazer .

Falava demais quando ficava nervosa

– Pois é , aqui o tédio reina . Deixa eu ir , porque tenho aula agora , sofro demais viu… Ah , gosto demais de você ,tá ?

Gabriela ficava com raiva porque nunca entendia o que o Benjamin realmente achava dela, ele sumia , voltava , uns dias era alegre , noutros era triste. Mas o que ela mais gostava nele é que ele parecia não se importar com as outras pessoas , ele vivia naquele mundo paralelo e nem fingia se enquadrar nos padrões que existiam entre as pessoas , no fundo ele tinha tudo que ela queria ter , a liberdade de ser o que quiser.

Depois que ele saiu de perto , a coisa que a Gabriela mais queria era que ele ainda estivesse ali , as vezes se achava meio retardada por isso , mas pensava nele sempre. As pessoas sabiam que ela pensava nele o tempo todo e achavam que aquilo era amor, mas não era. Era uma coisa mais bonita do que amor , era proteção , era afinidade , era afeto , carinho desses que a gente quase não vê mais por ai.

Chegou em casa quase 5 horas da tarde, resolveu ver televisão , fechou os olhos e pensou em tudo que ela queria ser e viver. Dormiu e acordou chorando. Mas dessa vez não era pelo medo e sim pela certeza de que precisava ir embora daquele lugar , ir embora para ser feliz . Juntou algumas coisas , pensou em dona Joana, lembrou de Benjamin e foi.

Sinceramente , eu gostaria de saber se ela foi feliz.

Bem longe daqui.

maio 19, 2011

Essa vida online está me dando indigestão, sinceramente , não aguento mais ver as pessoas falando de facebook . Cada um tentando ser mais legal e receber mais comentários sobre os seus feitos, é uma exibição danada e uma puta falta do que fazer. Eu tô reclamando porque vejo isso todo dia, tento ser assim todo dia, tento adorar ficar no telefone falando um monte de coisa sem sentindo, tento ter  um twitter, um orkut , um formspring e mais meia dúzia de redes sociais. Tento , mas alguma coisa lá no fundo me irrita , alguma coisa lá no fundo queria explodir tudo isso. Sabe , as pessoas não imaginam o que estão perdendo lá fora , às vezes acho que até eu não sei o que estou perdendo , mas pelo menos sei que tem coisa bem melhor pra fazer do que ficar 24 horas por dia com um celular na mão e um computador do seu lado. Alguém sabe de um lugar pra onde eu possa ir, de preferência BEM longe dessa vida superficial que levamos?

Amizade

maio 14, 2011

Em meio ao barulho das pessoas que estavam aproveitando a noite , dançando ao som de uma música repetitiva ela disse:
– Eu sou infeliz
( Essa frase me doeu , não pela frase , mas pela forma  que foi dita , pela sinceridade das palavras . Me doeu porque eu era um pouco dela , me doeu ver que ela estava infeliz assim como eu) ( Sei lá , mas amizade é uma coisa engraçada , alguma coisa de um liga no outro e fica assim , ligado pro resto da vida , o que um sente , o outro sabe.)